24 de fevereiro de 2011

VANISHING POINT - THE J.B.PICKERS

Para você que é fanático por trilhas sonoras, eis aqui uma obra prima rara, recebo vários pedidos para que criássemos um setor no blog tratando só de Trilhas Sonoras, então resolvemos iniciar com Vanishing Point - 1971.Para muitos brasileiros, bastam alguns instantes da música “Freedom of Expression”, de Bowen, para que os neurônios comecem a se agitar: diretamente de um dos melhores momentos do filme, seu poderoso ataque instrumental de guitarras invocadíssimas virou música-tema do programa Globo Repórter.

Vanishing Point é o filme americano perfeito para 1971. Kowalski é um perdedor, ex-fuzileiro no Vietnã, ex-piloto de provas e ex-policial, expulso da corporação com desonra. Ele tinha uma namorada surfista que se afogou no mar, e agora é um entregador de carros que aceita levar um Dodge Challenger 1970 de Denver, no Colorado, para São Francisco, na Califórnia. Kowalski tem 15 horas para ganhar uma aposta e vai para a estrada. Vanishing Point é um road movie. Um filme B, de orçamento barato, despretencioso e clássico. Kowalskidirige dia e noite, tomando benzedrina e lembrando do que deixou para trás; a namorada antes da morte inexplicável, fracassos e uma vida sem sentido.Nada parece justificar a motivação da personagem. É mais do que uma aposta e Kowalski sabe disso. A sua vida está naquela estrada, por isso ele segue em frente, sem respeitar limites de velocidade, ordens e barreiras montadas para detê-lo, inutilmente. Kowalski acelera e passa a ser alvo da polícia rodoviária, que o persegue de um estado para outro. No caminho, dá de cara com o que sobrou do sonho libertário da década anterior: hippies místicos pregando no deserto, uma motoqueira nua e misteriosa, um vendedor de cobras que o ensina a sair do deserto de Nevada, quando fica sem gasolina, e um DJ de uma rádio local. Super Soul é negro e cego, outro segregado na América de sonhos e oportunidades que não se realizaram - como Kowalski. O DJ capta pelo rádio as ordens policiais contra Kowalski, e passa a orientá-lo sobre todos os passos dos tiras raivosos e frustrados que estão na sua captura. O DJ dedica músicas a Kowalski e fala aos seus ouvintes sobre "a última alma livre de todo o planeta, o último herói livre da América, o centauro elétrico caçado pelos azulões fascistas e corruptos".

A polícia descobre que a sua primeira suspeita é infundada. O carro de Kowalski não é roubado. Super Soul pergunta: O que ele quer provar agora? Kowalski não quer provar nada. Não há o que provar em um jogo perdido, mas é preciso ir até o fim. A mídia interessa-se pela perseguição e passa a acompanhar o caso. O DJ é entrevistado, defende Kowalski e sua estação de rádio é destruída por policiais. Na última transmissão, Super Soul entende o “desejo de velocidade do infrator como a condição de liberdade da alma”. Perto de São Francisco, a polícia monta uma barreira na estrada com motoniveladoras, viaturas, helicópteros e um imenso aparato para pegar Kowalski. Jornais e emissoras de todo o país também estão presentes, além de uma infinidade de curiosos. Kowalski diminui e encara o espetáculo que está à sua espera. Ele não tem saída, é o que todo mundo pensa. É o ponto alto do filme.

A metáfora para o início dos anos 70 na América é perfeita: o fim do sonho no meio de uma guerra distante, além dos conflitos interiores de um desajustado – sempre uma personagem interessante na ficção norte-americana. Os 60 fracassaram, como Kowalski – e não era hora de um individualismo tão inesperado e transgressor. Ninguém sabia o que poderia acontecer depois da turbulência dos sixties. Vanishing Point é o lado B de Easy Rider, dirigido por Dennis Hopper em 69, e de Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni, de 70 – que já tinha feito Blow Up em 66. É o cinema que colocou o ponto final nos anos 60.

Vanishing Point passou no Brasil com dois títulos: Corrida Contra o Destino e O Último Herói da América. Era um filme fácil de ver na programação que encerrava a madrugada da TV Globo. Depois parou de passar. Outro dia via uma refilmagem para a TV, com Viggo Mortensen (O Senhor dos Anéis) como Kowalski e Jason Priestley como o DJ. É claro que o original, dirigido por Richard Sarafian em 71, com Barry Newman como Kowalski e Cleavon Little no papel de Super Soul, é insuperável. Recentemente, anuncia-se uma nova refilmagem de Vanishing Point, dirigido por Samuel Bayer, o mesmo diretor que fez o clipe de Smells Like Teen Spirit, do Nirvana. É esperar para ver, não sem antes conhecer o original de Sarafian, lançado em DVD em 2004.
A trilha sonora de Vanishing Point é memorável, com temas obscuros de country music, soul,gospel, rock e funk. No inícios dos 70, quase tudo era obscuro. Vanishing Point é um filme tão inspirador que foi responsável por um clássico da melhor banda inglesa dos anos 90. O Primal Scream lançou em 97 um disco com o mesmo nome do filme. A banda do freakBobby Gillespie fez uma homenagem à transição dos 60 para os 70 influenciada pelo filme de Sarafian. A música Kowalski é uma avalanche sonora que começa com uma das últimas perguntas do Super Soul: a questão não é o que poderá detê-lo, mas quem poderá detê-lo ? Éa mesma atmosfera chapada dos anos 70, apesar dos anos politicamente corretos que antecederam a virada para o novo milênio. O Primal Scream nunca ligou para isso, por isso é uma banda de respeito. O Audioslave também dedicou uma música a Vanishing Point,Show Me How To Live. Se alguém mostrar a você como viver, acredite e vá em frente, como Kowalski. O fim nunca se sabe, mas sempre achei que Kowalski sabia...

Fonte: http://ivanova.multiply.com
Abaixo cenas do filme: Vanishing Point - Freedom of Expression
                                              

 Em 1972 quando foi posto no ar pela primeira vez o programa Globo Repórter, se sonhava com um programa de notícias e reportagens sérias que pudesse cativar interesse tanto do povão como dos mais letrados. O que não se imaginava era o sucesso que seu tema principal, um número encontrado apenas em uma trilha sonora de um filme B americano, faria.
Durante os primeiros anos do programa, o tema era a versão original do instrumental "Freedom of Expression," executado pelo desconhecido conjunto chamado The J.B. Pickers. Hoje, quase trinta anos mais tarde, o programa Globo Repórter continua utilizando o mesmo tema, apenas agora em uma versão caseira executada por um sintetizador, versão no ar desde a década de oitenta.
Quem poderia adivinhar que um tema tão pouco conhecido no seu país de origem, pudesse cativar quase toda uma nação que imediatamente associa aquele baixo e guitarra pulsantes com as urgentes reportagens a serem exploradas pelo programa? E de 1972 para cá se criou a grande curiosidade em alguns de saber, que banda é essa? Chutavam alguns se tratar de Pink Floyd, em algum trabalho raro que nunca chegou a ser lançado em um de seus discos oficiais. Quando o filme "The Vanishing Point" contendo a honrosa faixa "Freedom of Expression", teve sua trilha sonora lançada no Brasil, pôde-se conferir a autoria aos anônimos The J. B. Pickers.
Continuava a duvida, quem são esses J. B. Pickers? Não constam em catálogo algum de discos, tampouco nenhuma enciclopédia de rock faz qualquer menção a essa banda. Passaram alguns a especular se J. B. não seria Jeff Beck? Até mesmo hoje em dia, com a conveniência da internet, se fizer uma busca sobre The J B Pickers, tudo que irá encontrar é a menção ao filme Vanishing Point ou outros internautas, curiosamente perguntando também o que se sabe a respeito desta banda. Afinal, quem são esses ilustres desaparecidos? Pois bem, vamos então matar a charada agora para vocês.
The J. B. Pickers não existe. É um nome fictício utilizado então exclusivamente na gravação de duas faixas deste filme, The Vanishing Point. Seus músicos são contratados de estúdio e não há disponível no momento a relação de seus nomes. Posso comentar apenas sobre a autoria do tema, seu idealizador, J. B., ou seja, Jim Bowen.
Jim Bowen nasceu em Santa Rita, Novo México, em 1937, mas foi criado em Dumas, no Texas, desde os oito anos de idade. Mal sabia tocar seu baixo quando em 1957 sua banda de rockabilly, The Orchids, chamou a atenção de Roy Orbison. Este por sua vez, facilitou o contato com Norman Petty que organizou uma sessão de gravação em Clovis, Novo Mexico. Lá gravaram duas faixas, "Party Doll" cantando o colega Buddy Knox e "I'm Stickin with You" com ele, Jimmy Bowen. As duas canções ganham co-autoria Knox-Bowen e o compacto, lançado pelo pequeno selo Triple D, imprime em cada lado o crédito Buddy Knox & the Rhythm Orchids e Jimmy Bowen & the Rhythm Orchids. Inesperadamente, o compacto se torna um sucesso entre as rádios da região.
Sempre alerta ao que estava acontecendo na música pelo país, o famoso DJ Alan Freed acabou ouvindo e colocando o compacto em sua programação. Uma vez em Nova York, The Rhythm Orchids tiveram a oportunidade de participar de alguns dos Rock and Roll Shows promovidos por Freed, o que atraiu o interesse de Morris Levy da gravadora Roulette Records em contratá-los. Se tratando de um conjunto de rapazes jovens, caipiras do interior, podem imaginar o choque cultural que não deve ter sido estar em Nova York dividindo as atenções com gente como Little Richard, cuja homossexualidade chocou a todos. Igualmente difícil imaginar os rapazes tentando tratar das negociações de contratos com executivos de gravadoras da 'cidade grande'. Levy amarrou o conjunto em um contrato desfavorável e obrigou-os a cumprí-lo. Ele dividiu a banda em duas, e lançou simultaneamente compactos com Buddy Knox & the Rhythm Orchids e Jimmy Bowen & the Rhythm Orchids.
Enquanto "I'm Stickin with You" de Jimmy Bowen & the Rhythm Orchids só chegou a No.17, "Party Doll" de Buddy Knox & the Rhythm Orchids chegou a No.1. De fato, Buddy Knox era infinitamente melhor músico e cantor, e sua carreira dentro dos três anos de contrato com a Roulette Records lhe rendeu outros hits entre as vinte mais das paradas de sucesso. Jimmy Bowen pelo contrario, apesar de lançar onze compactos até janeiro de 1960, o fim de seu contrato de artista com a Roulette, jamais conseguiu colocar outra canção entre os vinte mais.
Contudo, Bowen se interessa cada vez mais por produção de discos e embora ocasionalmente lançando seu próprio material conforme exigia seu contrato, passou também a produzir para outros artistas dentro da Roulette Records. Seu trabalho deve ter agradado, pois Frank Sinatra o chama para trabalhar com ele na Reprise Records. Desta maneira, aos vinte e cinco anos, a sua carreira como produtor deslancha. Bowen consegue colocar Sinatra e seus amigos novamente nas paradas de sucesso durante a década de sessenta. Agradar Frank Sinatra sempre confere um selo de qualidade para qualquer currículo. Principalmente porque Sinatra nem sempre quer ouvir uma opinião desfavorável, portanto ai de você se algo não der o resultado esperado.
Com competência, Jimmy Bowen produziu uma sucessão de bons discos que venderam bem, de artistas como Sammy Davis Jr., Dean Martin, Nancy Sinatra e Bert Kaempfert. Depois da passagem pela Reprise, trabalhou para a Capitol, MGM, Elektra/Asylum, e MCA.
Na década de setenta, foi responsável pela supervisão de sua primeira trilha sonora, o filme "The Vanishing Point." Na trilha, além de artistas consagrados como Mountain e Big Mama Thorton, há três faixas compostas por Jimmy Bowen. Um tema incidental chamado "Love Theme" que é creditado ao Jimmy Bowen Orchestra & Chorus, e dois temas, o funkão "Super Soul Theme" e o rock pauleira, "Freedom of Expression" creditados ao The J.B. Pickers. Outras participações em trilhas sonoras incluem os filmes "Smokey & the Bandit 2" de 1980, "Slugger's Wife" de 1985, e a trilha sonora da peça teatral "Big River" em 1988.Na década de oitenta em diante, Bowen passou a trabalhar cada vez mais com música country, fixando-se em Nashville e segundo alguns, contribuindo para baratear os custos de produção, utilizando uma política austera de investir apenas em artistas que seguramente vendem. Durante a segunda metade da década de setenta ele gravou artistas do quilate de Glen Campbell e Kenny Rogers. Na década de oitenta, gravou Conway Twitty, Hank Williams Jr., George Strait, Steve Wariner, Steve Earle, The Oak Ridge Boys, Kim Carnes, Reba McEntire e Garth Brooks. Nos anos noventa, produziu discos de Andy Williams, Chris Le Doux, The Pirates of Mississippi, e Willie Nelson entre outros.Jimmy Bowlin, Gary Reece, Ron Lane, John PennellDestes, Bowen se desentendeu com Garth Brooks, que de jovem e submissa revelação, cresceu para se tornar um super astro do country, e portanto ganhou autonomia para sustentar suas próprias decisões. Jimmy Bowen acabou nutrindo um câncer e deixou a gravadora, inicialmente pensando em se aposentar. Hoje, ele volta a tocar como músico em sua banda de bluegrass, Jimmy Bowen & the Santa Fe, formados por Jimmy Bowen no mandolin, Gary Reece no banjo, John Pennell no Baixo e Ron Lanena na guitarra.

Fonte: http://whiplash.net

22 de fevereiro de 2011

Professor multidisciplinar leva arte  ao Bandeirantes
Versátil, ele dá aulas de biologia, filosofia e história da arte e teve viagem à Itália durante o doutorado bancada pela escola
Arquivo Pessoal

21 de fevereiro de 2011 | 22h 30
Multidisciplinaridade é uma das palavras de ordem do ensino hoje. Mas são raros os professores que encarnam esse conceito tão bem quanto Regis Lima, de 45 anos, há mais de 20 no Colégio Bandeirantes. Ele ensina biologia e filosofia para o ensino médio e história da arte num curso optativo da escola - também dá aulas de filosofia da ciência na Universidade Metodista. "Às vezes os alunos se admiram de eu dar matérias tão distintas. Mas isso só pode tornar a aula mais interessante." Filho de professores, formado em Biologia, Regis tem mestrado em Psicologia e doutorado em Filosofia da Arte. Neste último caso, o Bandeirantes bancou uma viagem para a Itália, o que lhe permitiu pesquisar em 11 bibliotecas do país para preparar o doutorado.
Regis é deficiente físico - nasceu sem os braços. Por isso cursou a 1.ª série do ensino fundamental na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Já no ano seguinte, foi transferido para um colégio estadual, porque a equipe da AACD julgou que ele se adaptaria bem à rede pública. "Deficiente ou não, a pessoa precisa ver se leva jeito para o que quer fazer. Tem de ir atrás e vencer os obstáculos."
Regis tirou de letra a escola até o ensino médio, quando se matriculou no próprio Bandeirantes. "Era tudo era muito fácil intelectualmente", diz. "Mas aqui tive a dificuldade que todo aluno enfrenta, porque o colégio é puxado."
Nas aulas, em especial as de história da arte, Regis usa um projetor, permite consultas à internet e estimula o debate entre os alunos. "Preparo até o segundo terço da aula, aí continuo com as questões que os alunos levantam. Eles vão trazendo outros exemplos e as discussões fluem", diz.
Muitas vezes é a arte que vai à escola. Regis leva grupos de músicos ao colégio e os alunos aprendem sobre o funcionamento dos instrumentos, ouvem canções e leem poemas. "Não precisamos ficar só nas artes clássicas. Fomos à Bienal no ano passado e à exposição de Andy Warhol na Pinacoteca."
Mas história da arte não é um tema enfadonho para jovens que vivem grudados nas redes sociais? Regis garante que não. Sua fórmula de ensino faz sucesso. Inspirada pelas aulas, uma ex-aluna do Bandeirantes que hoje cursa História na PUC-SP passou sete meses em Paris trabalhando como guia no Museu do Louvre. "Tem aluno que faz o curso extracurricular até seis vezes", diz o professor. "Eles ficam malucos." 



Fonte: Felipe Mortari/JT



Negociação do Belas Artes é reaberta
22 de fevereiro de 2011 

Uma nova reunião sobre o destino do Cine Belas Artes reabriu ontem a negociação entre os proprietários André Sturm (do cinema) e Flávio Maluf (do imóvel). A previsão é que o cinema, que funciona na Rua da Consolação desde 1943, feche suas portas nesta quinta-feira, dia 24. As conversas haviam sido encerradas no último dia 17, quando a proposta de R$ 85 mil de aluguel por parte de Sturm não foi aceita – Maluf já recebeu uma oferta de R$ 150 mil de outra empresa, e quer do Belas Artes algo próximo ou igual a esse valor. Agora, Sturm tem até amanhã para dar um novo lance.
“Há interesse das duas partes em melhorar as condições inerentes ao negócio”, afirmou Fábio Luchesi Filho, advogado de Flávio Maluf, logo após a reunião. Além do valor do aluguel, o dono do imóvel lida ainda com outra questão: a abertura do processo de tombamento do Belas Artes no dia 18 de janeiro pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). Com isso, o imóvel não pode passar por reforma sem autorização prévia do órgão municipal, o que dificulta a venda para uma loja, por exemplo.
Agora declarado o interesse de Maluf em manter o cinema funcionando no seu prédio, resta a André Sturm tentar, até amanhã, um incremento no valor do patrocínio oferecido para o Belas Artes.“Eles querem uma proposta maior da nossa parte, o que não é muito viável”, diz Sturm, que não revela o nome do provável novo patrocinador. O anterior, de 2004 a 2010, era o HSBC, que também deu nome ao cinema.

Fonte: Nataly Costa/JT



19 de fevereiro de 2011

1001 livros para ler antes de morrer
Se eu tivesse trabalhando comigo, nas livrarias, a exata quantidade de pessoas que, em algum momento, quer de brincadeira ou mesmo seriamente, me perguntaram se não haveria alguma vaga para elas, seria, sem dúvida, um dos maiores empregadores do Brasil! E estaria, certamente, falido em pouco tempo.

Isto porque não haveria livro suficiente capaz de fazer frente à folha de pagamentos que eu teria. Ainda mais num país como o nosso, em que os encargos sociais cobrados são uma verdadeira punição àqueles que geram empregos.

Eu entendo perfeitamente esta espécie de “encantamento generalizado” que há pelo ambiente em que trabalho e pelo produto principal com que lido. E não nego que seja muito gratificante, sobretudo no âmbito da realização pessoal.

Quanto ao aspecto econômico do trabalho, reconheço que com ele se vive dignamente. Contudo, eu seria capaz de relacionar, no mínimo, umas duzentas outras atividades mais recompensadoras neste quesito.

Em resumo, digamos que vender livros proporciona o enriquecimento do espírito e a fartura de bons relacionamentos, muito mais do que qualquer outro ganho material. Por isso, o idealismo é um insumo indispensável na composição de um autêntico livreiro.

Isto porque o aparente “romantismo” do ofício esconde alguns pontiagudos espinhos que só mesmo embrenhando-se no dia a dia do ramo para se conhecer e sentir. Um deles pode ser exemplificado numa piada conhecida no ramo, que diz que no Brasil há mais editoras do que livros.

Exageros à parte, a verdade que a piada carrega consigo é que há editoras com um catálogo tão reduzido e com uma estrutura comercial tão pequena, que por vezes a localização e a compra de um título, para atender à necessidade de um cliente, chegam a ser “feitos épicos”.

Há também o irritante, inexplicável e recorrente caso de títulos que, apesar de constarem como sendo dos mais lidos e procurados, passam longos e longos períodos sem edição ou até mesmo sem editora. O amigo leitor consegue imaginar o quanto é difícil e patético para nós explicarmos tamanha sandice? E mais, conseguir não nos associarmos a ela?

O que certamente nos mantêm firmes e convictos em nossa dedicação, passando por cima destes e de tantos outros obstáculos, é exatamente o livro.

Este objeto milenar, que pouco mudou suas características básicas em centenas de anos de existência, tem, indiscutivelmente, poderes mágicos. Ele é capaz de aproximar povos que, geograficamente, vivem a centenas de quilômetros de distância uns dos outros. Ele expõe e revela as mais variadas culturas, e emociona com dramas que provam que sentimentos não têm nacionalidade e muito menos bandeira.

O livro pode nos transportar no tempo e no espaço, nos trazer lembranças e despertar saudades. Ele nos faz companhia na solidão e, como se espera de um bom amigo, pode até mesmo “cutucar-nos” em nossas culpas e erros.

Preciosidade como poucas que o homem foi capaz de criar, o livro merece todo o respeito e o zelo, além de muito mais dedicação e reverência que eu e todos os demais livreiros do mundo, juntos, somos capazes de lhe prestar.

O livro que eu vou sugerir como leitura nesta semana não se trata de um romance nem de um policial, mas sim de um grande e completo guia com mais de mil sinopses de grandes obras da literatura mundial (nacional e internacional), além de uma pequena biografia de seus autores.

Trata-se de “1001 livros para ler antes de morrer” (Edit. Sextante – 960 pág. – R$ 59,90)

Ele reúne diversas obras de ficção, desde “Dom Quixote”, de Cervantes; “Os Lusíadas”, de Camões, até “Almoço nu”, de William Burroughs, e “Tudo se ilumina”, de Jonathan Safran Foer.

Neste livro, o leitor encontrará títulos dos mais diversos estilos e para todos os gostos. Com resenhas elaboradas por uma equipe de escritores, críticos literários e jornalistas internacionais, este livro pretende guiar o leitor pela história da literatura mundial. E, objetivando dar destaque à produção literária de língua portuguesa, a obra inclui ainda nomes como Aluísio de Azevedo, Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles e Mia Couto

Uma boa leitura e um excelente final de semana!

                 Agradecimentos: Livraria Eureka
(O autor do texto  é proprietário da Livraria Eureka) 

Abaixo vai o resumo da própria editora:
A arte de contar histórias é intrínseca à natureza humana – seja para transmitir conceitos morais, registrar acontecimentos históricos, relembrar a vida de uma grande personalidade, por puro entretenimento, ou, como Sherazade, para viver por mais um dia.

Desde As mil e uma noites, as narrativas de ficção exercem grande fascínio e influência sobre as pessoas. Seduzidos pela leitura, inúmeros jovens descobriram seu talento e se tornaram escritores. Livros inspiram outros livros numa progressão tão espantosa que fica difícil para qualquer um acompanhar todas as opções disponíveis.
1001 livros para ler antes de morrer reúne algumas das obras de ficção de maior impacto da história. De clássicos como Dom Quixote, de Cervantes, e Os Lusíadas, de Camões, até os mais recentes e inovadores, como Almoço nu, de William Burroughs, e Tudo se ilumina, de Jonathan Safran Foer, você encontrará aqui títulos que marcaram época, dos mais diversos estilos e para todos os gostos.
Com resenhas elaboradas por uma equipe de escritores, críticos literários e jornalistas internacionais, este livro poderá guiá-lo pela história da literatura mundial. E, para darmos mais destaque à produção literária de língua portuguesa, incluímos nomes como Aluísio de Azevedo, Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles e Mia Couto.
Não importa se você está escolhendo sua próxima leitura, tentando encontrar o presente ideal para um amigo ou se deseja conhecer um pouco mais sobre grandes obras e seus autores, 1001 livros para ler antes de morrer é perfeito para todos os que gostam de ler.
****
“Um país se faz com homens e livros”, declarou Monteiro Lobato. De fato, a literatura tem a incrível capacidade de moldar as pessoas e seus atos. Diversos autores consagrados, entre eles Charles Dickens, descobriram sua vocação ao serem seduzidos por uma obra de ficção. Mas é claro que não é preciso ser um grande escritor para sofrer a influência dos livros. Afinal, quem nunca se encantou com uma boa história?
Em 1001 livros para ler antes de morrer, você encontrará – apresentados por escritores, críticos e jornalistas de todo o mundo – obras, autores e personagens que povoaram a imaginação de milhares de pessoas e que, ainda hoje, estão vivos em suas memórias.
Camões, Sartre, Borges, Cervantes, Balzac, Dostoiévski e outros gigantes da literatura mundial estão representados aqui pelo melhor de sua produção. No âmbito nacional, não poderiam faltar Machado de Assis, José de Alencar, Oswald de Andrade, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Chico Buarque e Cristóvão Tezza.
Do País das Maravilhas, de Lewis Carrol, ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, este livro o levará a uma aventura fantástica por universos inimagináveis. E o melhor é que a volta a esse mundo não precisa durar só 80 dias. Apenas sente-se confortavelmente, relaxe e deixe a imaginação levar você.


Agradecimentos, Lucien, o Bibliotecário




18 de fevereiro de 2011

Master of Classical Music
Atendendo aos pedidos de nossos amigos o Oficina 11 Artes posta aqui uma sensacional coleção de Música Erudita, esta é uma colaboração de minha amiga Mara do http://pintandomusica.blogspot.com. Trata-se de uma maravilhosa coleção de obras de compositores bem conhecidos, os mestres da música erudita. Além disso, este conjunto serve como uma ótima maneira para aqueles que desconhecem a música clássica e gostariam de ouvir e apreciar este gênero de música. No entanto, é preciso compreender que a música clássica leva tempo para ser apreciada e apenas com o passar dele, é que detectamos nuances em certas peças que não notamos inicialmente.

bach - violin concerto adagio



Tracklist
01. Eine kleine Nachtmusik: Allegro
02. Piano Concerto in A major, K 488: Adagio
03. Flute Concerto in D major, K 314: Allegro            
04. Symphony No.40 in G minor: Molto allegro
05. Clarinet Concerto KV 622: Adagio
06. Serenade, K375: Menuetto
07. Turkish March
08. Violin Concerto, K 216: Allegro
09. Divertimento, K 334: Menuetto
10. Horn Concerto, K 447: Allegro
11. Cassation, K99: Allegro 
Volume 1: Mozart
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 01




Tracklist
01. Overture No. 4: Rejouissance
02. Overture No. 3: Air
03. Overture No. 2: Badinerie
04. Oboe Concerto in D minor: Adagio
05. Minuet in D minor, BWVAnh.132
06. Minuet in G major, BWV Anh.116
07. Overture No.1: Passepied
08. Toccata and Fugue in D minor, BWV 565
09. lch liebe den Hochsten von ganzem Gemute: Sinfonia
10. Brandenburg Concerto No.2 in F major: Andante
11. Easter Oratorio, BWV 249: Sinfonia
12. Violin Concerto in E major: Adagio
13. Wachet auf, ruft uns die Stimme
14. Brandenburg Concerto No.1 in F major: Adagio
15. Kommst du nun, Jesu, vom Himmel herunter


Volume 2: J.S.Bach
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 02




Tracklist
01. Symphony No.5: Allegro con brio
02. Fur Elise
03. Violin Romance No.2
04. Moonlight Sonata: Adagio sostenuto
05. Minuet
06. Sumphony No.8 in F major: Allegretto scherzando
07. Coriolan Puverture
08. Piano Concerto No.2: Adagio
09. Symphony No.5 in C minor: Allegro
10. Egmont: Overture 



Volume 3: Beethoven
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 03




Tracklist
01. Die Fledemiaus (Excerpts)
- 1.1 Introduction
- 1.2 Bruderlein und Schwesierlein
- 1.3 Mem Herr, was dachten Sie von
- 1.4 Im Feuerstrom der Reben
- 1.5 Mem Herr Marquis
- 1.6 Tnnke. Uebchen
- 1.7 Finale- RTL Symphony, Kurt Redel           
02. Wine, Woman and Song
03. Tritsch Tratsch Polka
04. The Blue Danube
05. The Gypsy Baron: Introduction
06. Annen Polka
07. Vienna Blood
08. The Gypsy Baron: Einzugsmarsch 


Volume 4: Strauss
parte I    parte II

 Masters of Classical Music vol 04




Tracklist
01. Tannhauser: Overture
02. Die Meistersinger: Dance Of The Prentices
03. Die Meistersinger: Prelude Act 3
04. Die Meistersinger: Aufzug Der Meistersinger
05. Der Fliegende Hollander: Overture
06. Lohengrin: Prelude
07. Tristan Und Isolde: Prelude
08. Tannhauser: Arrival Of The Guests 


Volume 5: Wagner
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 05



Tracklist
01. Piano Concerto No.1: Allegro
02. String Serenade: Waltz
03. Violin Concerto: Andante
04. The Sleeping Beauty: Ballet Suite Introduction
05. Pas d'action: Adagio
06. Waltz
07. Capriccio italien Op.45
08. Scene No.10
09. Waltz
10. Eugene Onegin: Polonaise 


Volume 6: Tchaikovsky
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 06



Tracklist
01. The Four Seasons: "Spring"
02. Siciliano
03. Concerto for 2 Corni da caccia in F major: Allegro
04. The Four Seasons: "Summer"
05. Oboe Sonata in B flat major
06. The Four Seasons: "Autumn"
07. Oboe Concerto (Allegro non tasto)
08. Concerto for 4 Violins in E minor: Allegro assai
09. The Four Seasons: "Winter" 


Volume 7: Vivaldi
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 07



Tracklist
01. Scherzo No.1 in B minor, Op. 20
02. Three Nocturnes, Op. 9: No.3 in B major
03. Twelve Etudes, Op. 10: No.5 in G flat major
04. Twelve Etudes, Op. 25: No.10 in B minor
05. No. 13 in F sharp major
06. No. 14 in E flat minor
07. No. 15 in D flat major "Raindrops"
08. No. 16 in B flat minor
09. No. 17 in A flat major
10. No. 18 in F minor
11. Scherzo No. 2 in B flat minor, Op. 31
12. Waltz in E flat major, Op. 18
13. Nocturne in C sharp minor, Op. posth.
14. No.3 in A flat major
15. No 4 in B flat minor


Volume 8: Chopin
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 08





Tracklist
01. Ave Maria
02. Impromptu in E flat major
03. Standchen
04. Trout Quintet: Tema con variazioni
05. Entr'acte No. 1 from "Rosamunde"
06. Moment musical in A flat major
07. Entr'acte No.2 from "Rosamunde"
08. Moment musical No. 3 in F minor
09. Ballet Music No. 2 aus/trom "Rosamunde"
10. Symphony No. 6 in B minor: Allegro 


Volume 9: Schubert
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 09



Tracklist
01. Overture
02. Va pensiero, sull'ali dorate
03. Aida: Prelude
04. Vedi! le fosche notturne (Gypsies' Chorus)
05. Or co' daddi, ma fra poco (Soldiers' Chorus)
06. Aroldo: Overture La Traviata:
07. Prelude
08. Noi siamo zingarelle
09. Libiamo ne' lieti calici
10. Di Madride noi siam mattadori
11. La Forza del destino: Overture


Volume 10: Verdi
parte I    parte II

Masters of Classical Music vol 10

 Agragadecimentos: http://pintandomusica.blogspot.com  ( Em especial minha amiga Mara ) 
                                     Prestigiem este blog, lá você encontra tudo sobre a verdadeira música.


O Violino
O violino surgiu na Itália no começo do século XVI, como uma evolução de instrumentos de corda friccionada, o rebec, a vielle e a lira da braccio. Gasparo Da Salo (1542-1609), Andrea Amati (1505-1578) e Gaspard Duiffoprugcar (1514-c. 1571) são considerados os nomes essenciais do artesanato (ou lutheria) do violino. Com De Salo e Amati surgem as duas célebres escolas de lutheria, a de Brescia e a de Cremona. Nesta ultima, a dinastia dos Amati atinge sua supremacia com Nicola Amati, neto de Andrea e mestre de Antonio Stradivari (1644-1737). Um outro renomado luthier foi Guarnerius (1698-1744), chamado “del Gesú”. Na França, a lutheria do violino está associada a cidade de Mirecourt e aos nomes de Nicolas Lupot (1758-1824) e Jean-Baptiste Vuillaume (1798-1875) .
A forma do instrumento constitui um exemplo de desenho do renacimento italiano, com as considerações de equilíbrio de superfícies e de volumes típicas da época. Aparentemente, as dimensões dos violinos e violoncelos seguem a relação de proporções matemáticas conhecidas como “proporção áurea”. Tudo indica porém que a evolução do instrumento se deteve depois da morte de Stradivari. Algumas mudanças menores foram feitas no século XIX, como na extensão do braço, no ângulo do espelho e na altura do cavalete, com o objetivo de produzir um som mais intenso e brilhante. O fato de o instrumento praticamente não ter mudado em mais de 250 anos ilustra bem o extraordinário nível artístico e tecnológico alcan»cado pelos luthier italianos do século XVI.
Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 30, n. 2, 2305 (2008)
www.sbfisica.org.br

Fisica do violino
View more presentations from paganininicola


Fisica do violino - Presentation Transcript
  1. A Física do Violino Prof. Jose Pedro Donoso (IFSC – USP)
  2. O violino é constituído por cerca de 35 peças No tampo superior da caixa de ressonância há dois orifícios na forma de “f “ localizados simetricamente em relação ao eixo longitudinal. Eles comunicam as vibrações do ar dentro do violino com o exterior. O cavalete atua como um transdutor mecânico, os modos de vibração tranversais das cordas em modos vibracionais da caixa de ressonância. Ele atua também como filtro acústico, suprimindo Fletcher & Rossing: Physics of Musical Instruments certas freqüências indesejáveis.
  3. Yves Guilloux, Le Monde de la Musique (Paris, Mars 1996)
  4. Scientific American 207, 79 1962 A alma do violino (sound post), é um palito cilíndrico da grossura de um lápis e que se apóia entre os dois tampos. Ela se mantém nessa posição devido à força exercida pelas cordas sobre o cavalete (bridge). A alma tem duas funções, uma acústica e uma estrutural.
  5. Lutherie A arte de fabricar os violinos foi consolidada pelas famosas famílias italianas, os Amati, Stradivari, Guarneri e Ruggeri que formaram uma linha de sucessão que floresceu na cidade de Cremona desde 1550 até 1750.
  6. Fabricação de um violino http://library.thinkquest.org
  7. Corte da madeira na fabricação dos tampos O tampo inferior se fabrica cortando a madeira de forma longitudinal e colando depois seus lados externos. Rossing, The Science of Sound Massmann & Ferrer, Instrumentos Musicales
  8. Os Amati, em Cremona, foram os responsáveis pela forma clássica do violino atual, a redução da altura do corpo, a forma das entradas laterais (“C “) e a forma das “f”. Os desenhos atingiram sua perfeição nos tempos de Niccolo, neto de Andrea Amati. Na França, a cidade de Mirecourt abrigou os grandes luthiers: Lupot (1758-1824), Charles François Gand e seus filhos (1787-1845), os irmãos Bernadel (1866) e Jean Baptiste Vuillaume (1798-1875). O fato de o instrumento praticamente não ter mudado em mais de 250 anos ilustra bem o extraordinário nível alcançado pelos luthier italianos do século XVI
  9. Os três grandes nomes do começo da lutherie de violinos são: - Gaspard Duiffoprugcar (Lyon, 1562) que adicionou a 4a corda - Gaspar di Salo (1542 – 1609) fundador da escola de lutherie de Brescia - Andrea Amati (1505 – 1578) fundador da escola de Cremona Giovanni Paulo Maggini (1580 – 1630), discípulo de di Salo, desenhou a forma atual do violino e construiu os primeiros cellos e altos Nicolas Amati, responsável pela supremacia da escola de Cremona. Foi mestre de Antonio Stradivarius (1644-1737), que fabricou cerca de 1200 violinos, dos quais uns 550 se conservam até hoje. Joseph Bartolomeu Guarnerius (1698-1744), “del Gesu”. Nicolo Paganini fez celebre este luthier, tocando no seu violino “il Canone”. Le Monde de la Musique, numero 197, Mars 1996
  10. Violino Stradivarius www.gussetviolins.com
  11. Os físicos e o violino Os físicos sempre se sentiram cativados por este instrumento, seja para estudar suas propriedades acústicas ou apenas como instrumento de executar música Muitos físicos contribuiram para a compreensão de suas propriedades: Felix Savart (1791–1841) H.V. Helmholtz (1821-1894) Lord Rayleigh (1842-1919) C.V. Raman (1888-1970) F. Saunders (1875 – 1963)
  12. Hermann von Helmholtz (1821 – 1894) Em 1863 publica a obra “On the sensations of tone as a physiological basis for the theory of music”, onde descreve a fisiologia do ouvido e estudos de acústica física. Estudou a ressonância de cavidades e elucidou o tipo de vibração que distingue a corda excitada por um arco (bowed string) da corda tangida (plucked string)
  13. Felix Savart (1791 – 1841) utilizou o método de Chladni para visualizar os modos de vibração de tampos de violinos Colaborou com o luthierJoham Batiste Vuillaume no desenho de novos instrumentos da família do violino, incluindo o octobasse, de 3.45 m de altura, três cordas e uma caixa acústica de 2.1 m J. Acoustical Soc. Am. 92, 639 (1992)
  14. Chandrasekhara V. Raman (1888 – 1970) Premio Nobel por seu trabalho sobre espalhamento da luz (1930) Raman trabalhou também em acústica de instrumentos musicais. Utilizando um mecanismo para controlar a arcada, ele mediu os efeitos da velocidade e da posição da arcada. Desenvolveu a teoria da vibração que o arco produz nas cordas do violino e foi o primeiro em investigar a natureza harmônica dos instrumentos indianos. "The Small Motion at the Nodes of a Vibrating String", Phys. Rev,, 1911 “The Dynamical Theory of the Motion of Bowed Strings", Bull. Indian Ass. Cultiv. Sci. 1914 "Dynamical Theory of the Motion of Bowed Strings", Bull Indian Ass. Cultivation Sci. 1914 • "On the 'Wolf-Note' of the Violin and Cello", Nature (London). 1916 "On the Mechanical Theory of the Vibrations of Bowed Strings and of Musical Instruments • of the Violin Family, with Experimental Verification of Results - Part 1", • Bulletin, Indian Association for the Cultivation of Science, 1918 •
  15. Frederick Saunders (1875 – 1963) Conhecido pelo acoplamento Russell & Saunders da física atómica, estudou também as propriedades acústicas de instrumentos de corda. Saunders desenvolveu um método para analisar a resposta acustica dos instrumentos utilizando um analisador heteródino. Colaborou com a luthier Carleen Hutchins no desenho dos instrumentos do octeto da Membro fundador: família do violino. - Catgut Acoustical Society - Acoustical Society of America. J. Acous. Soc. Amer 73, 1421 (1983)
  16. Berlim: sonatas com Max Planck Princeton: música de Câmara com Nicholas Harsanyi, David Rothman e Valentine Bargmann Holanda: Paul Ehrenfest (piano) The Physics Teacher 43, 286 (2005)
  17. Afinação das cordas As cordas do violino estão Sol3 (G3) : 196 Hz afinadas em quintas: Re4 (D4) : 293.66 Hz  f1  3 Lá4 (A4) : 440 Hz  = f  2 Mi5 (E5) : 659.26 Hz  2  Mi   La   Re   = =  = 1.498  La   Re   Sol 
  18. Cordas Ré, Lá e Mi do violino Microscopia eletrônica Ampliações: 90×, 120× e 300× Diâmetro das cordas: 0.75, 0.65 e 0.25 mm Equipamento: Digital Scaning Microscope Zeiss Laboratório de Microscopia Eletrônica, IFSC - USP Técnico: Nelson Jose Heraldo Gallo
  19. Tensão das cordas Freqüência de vibração de uma corda tencionada: 1 T f = 2L µ Freqüência da nota Lá: f = 440 Hz Densidade linear da corda: µ ≈10 mg/cm ⇒ T ≈ 82 N Comprimento da corda: L ≈ 32.5 cm A tensão total das 4 cordas é, portanto, da ordem de 220 – 300 N
  20. Força estática sobre o tampo superior θ1 ∼ 6o θ2 ∼ 13o TAcosθ1 - TBcosθ2 = 0 TAsenθ1 - TBsenθ2 + F = 0 Considerando a tensão total: TA = TB ≈ 260 N, obtemos: F ≈ 90 N Para que este tampo não ceda com o passar do tempo, ele tem uma forma arqueada. A alma do violino também dá suporte mecânico a estrutura.
  21. Elasticidade das cordas Y= tensão = (F / A) deformação (∆L / L ) Y = 200 GPa (aço) Y ≈ 3 GPa (nylon) As cordas do violino são confeccionadas em aço. Corda mi : tração F ≈ 63 N, diâmetro ≈ 0.2 mm ⇒ Deformação tolerada pela corda: (∆L/L) ∼ 1% As cordas de aço são capazes de suportar uma tensão de 520 MPa (valor de ruptura). Este valor é cerca de três ordens de grandeza menor que o módulo de Young do aço. Por isso que a corda se rompe quando a deformação relativa for maior que 1%
  22. Corda Lá (quebrada) Ampliações: 60× e 200× A deformação tolerada pela corda de aço é 1%. Como o comprimento da corda do violino, desde a cravelha até o microafinador, é de ∼34 cm, basta uma volta na cravelha para consumir esse 1% de tolerância. Ao apertar-se um pouco mais a cravelha, a corda rompe-se.
  23. Modos normais de oscilação de uma membrana Frequência dos modos normais de vibração (m,n) de uma membrana retangular de lados a e b: n m f =C  +  a  b  C : constante que depende da tensão e da densidade superficial da membrana Massmann & Ferrer: Instrumentos Musicales
  24. Modos normais de oscilação de uma membrana Membrana oscilando nos modos (2,1) e (3,2). No modo (3,2) o movimento no eixo x é análogo ao de uma corda oscilando no modo n = 3, enquanto que no eixo y é análogo ao de uma corda oscilando no harmônico m =2. Massmann & Ferrer: Instrumentos Musicales
  25. Modos normais de oscilação Contrução gráfica dos modos resultantes das combinações: a)(2,0) – (0,2) b)(2,0) + (0,2) c)(2,1) – (1,2) d)(2,1) + (1,2) Fletcher & Rossing: The Physics of Musical Instruments Modos 1, 2 e 5 do tampo inferior. São considerados os mais importantes para definir a afinação tonal das placas. Frequências: tampo superior: 80, 147 e 304 Hz (razão 1:2:4); inferior: 116, 167, 349 Hz.
  26. A figura ilustra a transmissão da vibração das cordas para o cavalete e para a caixa de ressonância do instrumento. A alma comunica as vibrações ao tampo inferior, e a barra harmônica ao tampo superior. Desta forma consegue-se movimentar uma grande área (os tampos superior e inferior) e a sonoridade aumenta. Som e Audição Biblioteca Cientifica Life
  27. Ressonador de Helmholtz Ressonância do ar dentro do volume Os dois orifícios em forma de “f ” permitem considerar a caixa violino como um ressnoador de Helmholtz, com um modo de vibração em ∼290 Hz Science & Stradivarius; C. Gough, Physics World, April 2000
  28. A ressonância de Helmholtz Frequência de ressonância do ar dentro do volume: v A f = 2π lV v é a velocidade do som no ar, 340 m/s No violino, as “f “ no tampo superior representam a boca da cavidade e V, o volume do ar dentro do corpo. A ressonância principal do ar (RPA) depende então da áreas das “f ” e do volume de ar dentro da caixa do violino.
  29. Osciladores mecânico, elétrico e acústico Oscilador mecânico massa – mola: Frequência de Ressonância: d 2x dx 2 k m 2 +b + kx = F (t ) ω = dt dt m Circuito elétrico: d 2q dq q 1 L 2 +R + x = ε (t ) ω2 = dt dt c LC Sistema acústico: d 2x dx BA BA ρL 2 + R ' + x = P(t ) ω2 = dt dt V VρL B: bulk modulus do ar, ρ = densidade, A : área do orifício, V : volume da cavidade de Helmoltz, L comprimento, x deslocamento do ar
  30. Prática do oscilador forçado amortecido d 2x dx m 2 +b + kx = F (t ) dt dt m = 100 g k =3.9 N/m γ = 0.3 s-1 Frequência de ressonância e fator Q : ω = ω o 2 − 2γ 2 = 6.3s −1 mω o ω Q= ≈5 Q= ≈5 2b ∆ω
  31. Impedância e admitância do oscilador m = 0.1 kg, k =3.9 N/m, b = 0.06 kg/s Impedância mecânica: Z = b 2 + (mω − k / ω ) 2 Admitância mecânica: 1  1  Y= =  b − iχ   Z   Em ressonância: Z =b
  32. Sistema acústico: d 2x ' dx BA ρL 2 + R + x = P(t ) dt dt V 2 2  ρl B  Z = RA + ω −   A Vω  ω o ρl2ω o ρ BA A Q= ≈ ωo = = vs AR A aR A V ρl lV B : bulk modulus (1.5×105 N/m2 no ar), ρ = densidade do ar (1.2 kg/m3) A : área das f , V : volume da cavidade do violino, L comprimento do tubinho (L ≈ 1.8b), x deslocamento do ar, RA : resistência acústica e vs : velocidade do som (342 m/s)
  33. A ressonância de Helmholtz de um violino v A f = 2π lV As formas “f ” são aproximadas por elipses de área: A ≈ πab/4 V (volume) = 2400 cm3 a (elipse) = 8.5 cm ⇒ f ≈ 300 Hz b (elipse) = 0.5 cm l (altura)≈ 1.8b Esta ressonância, identificada como o primeiro modo de vibração do ar A0 American Journal of Physics 47, 201 (1979) e 61, 415 (1993)
  34. Montagem experimental para medir a frequência de ressonância de uma cavidade Function Generator BK-Precission (model 3026) Digital Oscilloscope Tektronix 60 MHz (TDS 210)
  35. Ressonância de Helmholtz de um violino e um cello Corda 1 Corda 2 Corda 3 Corda 4 Ao Q Violino Sol3 Re4 La4 Mi5 275 Hz 13 196.0 Hz 293.7 Hz 440 Hz 659.3 Hz Cello Do2 Sol2 Re3 La3 95 Hz 26 65.4 Hz 95 Hz 146.8 220 Hz
  36. Ressonâncias da caixa A caixa do violino, como todo corpo sólido, têm frequências naturais de vibração: 1- a Ressonância principal da madeira (RPM). 2- a Ressonância principal do ar (RPA). Num bom instrumento, RPM e Curvas de intensidade do som emitido RPA coincidem com as nota das por um Stradivarius de 1713 e de um violino de baixa qualidade. A cordas centrais: Re, Lá intensidade do primeiro é 10 a 20 dB maior que o segundo. Massmann & Ferrer: Instrumentos Musicales
  37. Modos vibracionais do violino Os modos normais de vibração envolvem movimentos acoplados dos tampos superior e inferior, e do ar encerrado nele: Modos do ar. O modo A0 resulta do movimento do ar pelas “f”, gerando um breathing mode. Os modos do corpo: Cn. No modo mais baixo (C1) o violino vibra num modo semelhante ao de uma barra livre. Nos três modos seguintes, em 405, 530 e 690 Hz, rotulados C2, C3 e C4, os tampos se movem em fase. Nos bons violinos o modo C3 é o principal parâmetro da resposta de baixas frequências. Modos dos tampos: o modo T1 é um modo de vibração do tampo superior e também envolve o movimento do ar pelas “f”. A vibração é asimétrica por causa da alma do violino, que está localizada numa linha nodal de T1 e num nó de A1.
  38. Modos normais de vibração A0 First air mode * 275 Hz A1 2nd air resonance * 460 Hz C1 0ne-dim. bending 185 Hz T1 Motion top plate * 460 Hz C2 Two-dim. flexure 405 Hz C3 Two-dim flexure * 530 Hz Journal Acoustical Soc. America 95, 1100 (1994), 100, 1168 (1996), 107, 3452 (2000)
  39. Modos de vibração do cavalete Fletcher & Rossing: 3060 Hz The Physics of Musical Instruments 4500-6000 Hz A ressonância mais baixa é devida a oscilação no plano (x,y) e também as oscilações perpendiculares ao plano: bending em torno do eixo y e twisting em torno de x. A ressonância em alta frequência se deve a movimentos simétricos verticais (up, down). Estas frequências são muito sensíveis à massa e à forma do cavalete.
  40. Modelos mecânicos da vibração do cavalete Lothar Cremer: The Physics of the violin Os modelos envolvem osciladores massa – mola e osciladores de torção k D ω= ω= 2 2 mo + mu mo (io + d o ) onde k é a constante da mola, D a constante do oscilador de torção, do a distância da massa concentrada e io o raio de inércia de massa da parte superior mo.
  41. Resposta Acústica de um violino Guarneri del Gesu Resposta acústica de um Guarneri, mostrando a ressonância do ar (A0), as do corpo (C3 e C4), uma do tampo superior (T1) e as ressonâncias em torno de 2.5 KHz, do cavalete (bridge hill). Fletcher & Rossing: The Physics of Musical Instruments
  42. O cavalete como filtro acústico “passa – baixas” f ≤ 1300 Hz: som cheio, muito valorizado no instrumento 1300 - 1800 Hz: som nasal, indesejável f ≥ 1800 Hz som brilhante, claro Utilizando o modelo mecânico ao lado, e fazendo uma analogia com um filtro RL “passa baixas” , a frequência de corte é: 1  3b  fc =   2π  m  m = 1.65 g, b = 4.5 kg/s ⇒ fc ≈ 1.3 kHz Hacklinger, Acustica 39, 323 (1978); Bissinger, J. Acoustical Soc. Amer. 120, 482 (2006)
  43. Helmholtz motion Animação: Heidi Hereth Univ. New South Wales, Australia www.phys.unsw.edu.au/music/violin
  44. Vibração que o arco produz na corda (bowed string) Helmholtz mostrou que a vibração que o arco produz na corda é muito diferente da vibração senoidal observada nas cordas estacionárias. A descontinuidade (kink) criada, com forma de v, se desloca na corda, refletindo-se na extremidade. Quando a corda volta ser “capturada” pelo arco, recomeça o ciclo. A forma de onda de tipo dente de serra produz um espectro de som rico em harmônicos. Fletcher & Rossing: Physics of Musical Instruments
  45. Oscilação de Helmholtz Arcada “para cima”: L : comprimento da corda D : posição do ponto Q na corda Tf e TR : tempo para o ponto Q descer (slipping) ou subir (sticking) TF D = TR L − D Se D ≈ L/20 e como TR + TF = T ⇒TR = 0.95 T ⇒Este resultado indica que 95% de cada periodo a corda esta subindo, e no outro 5% esta descendo J.S. Rigden, Physics and the Sound of Music (1985)
  46. Resnick, Halliday, Krane: Física 2 Forma de onda “dente de serra” que produz um espectro de som rico em harmônicos
  47. Análise espectral de um violino tocando a corda Sol Espectro sonoro da nota Sol3 (196 Hz) A figura mostra a intensidade relativa dos harmônicos obtidos ao tocar a nota Sol (primeira corda do violino). O espectro revela a presença de cerca de 15 harmônicos intensos. Sons com muitos harmônicos soam cheios e musicalmente mais ricos. Massmann & Ferrer: Instrumentos Musicales (Dolmen, 1993)
  48. O som do violino resulta da forma de onda originada pela excitação das cordas pelo arco, influenciada pelas vibrações e ressonâncias do corpo do violino, seus tampos e o cavalete: C. Gough, Science and the Stradivarius, Physics World (April 2000)
  49. O arco do violino O arco do violino é feito de fios de crinas de cavalo (cerca de 200). As crinas são tensionadas com ajuda de um parafuso localizado no talão do arco.
  50. O arco do violino Originalmente de curvatura convexa, o arco passou por uma silhueta quase retilínea até a incorporação da forma atual. François Tourte (1747-1835) vergou a madeira do arco em sentido contrário, de forma que a tensão das crinas se mantem inalterada quando o executante pressiona o arco contra as cordas. O mesmo Tourte foi o responsável pela escolha da madeira, o pau-brasil ou Pernambuco, que combina atributos físicos como rigidez, flexibilidade e a capacidade de manter a curvatura. A. Bachmann: Encyclopedia of the violin (1966)
  51. O arco do violino Edenise Segala Alves, pesquisadora do Inst. de Botânica de São Paulo coordena os estudos de madeiras que servem de matéria-prima para a fabricação de arcos. Daniel R. Lombardi, arqueteiro do bairro Perdizes, São Paulo www.lombardiarcos.com Revista Pesquisa (Fapesp, Fev. 2003)
  52. (3) Caesialpina echinata (pau-brasil) (9) Manikara elata (maçaranduba) Artigo disponível em: www.scielo.br
  53. Crina do arco (com e sem breu) Digital Scaning Microscope Zeiss, Ampliação: 400×, 1000× e 450× Diâmetro da crina: 160±10 µm Lab. Microscopia Eletrônica, IFSC/USP Operador: Nelson Jose Heraldo Gallo
  54. Diagrama de Schelleng O diagrama indica o tipo de som gerado ao passar um arco a v = 20 cm/s sobre a corda Lá de um cello. O som do instrumento depende da força do arco sobre as cordas e a distância ao cavalete. Se o arco é aplicado a uma distância βL do cavalete, onde L é o comprimento da corda, a força máxima é proporcional a (1/β) enquanto a força minima é proporcional a (1/β2). Estas duas condições podem ser combinadas num gráfico, definindo assim a região onde ocorre o movimento de Helmholtz. J. Acoustical Society of America 53, 26 (1973); Massmann & Ferrer: Instrumentos Musicales (Dolmen, 1993)
  55. A transferência de energia no instrumento Consideremos a interface entre a corda (Z1) e o cavalete (Z2) 2 4Z1 Z 2  Z1 − Z 2  Energia transmitida: Energia refletida:   (Z 1 + Z 2 )2  Z1 + Z    Quando uma onda incide sobre a interface de um outro meio, ela se transmitira eficientemente se as impedâncias dos dois meios forem semelhantes (Z1≈ Z2, impedance matching) No violino, se Z1 ≈ Z2 toda a energia sera transferida da corda ao cavalete e praticamente nada sera refletida pelo cavalete. Mais, sem essas reflexões, não se gera uma onda estacionária na corda. Como a razão entre as impedâncias (aço e madeira) é Z1: Z2 ≈ 16:1 aproximadamente 20% da energia da arcada será trasnmitida Segundo Lothar Cremer (The Physics of the violin), o corpo do violino remove, em cada ciclo, 10% da energia armazenada da corda.
  56. Eficiência da conversão da energia Quando um violinista puxa o arco (m ≈ 60 g) sobre as cordas, o esforço que ele faz é da ordem de 0.5 N Se a velocidade da arcada for ∼ 0.5 m/s, então P = Fv ≈ 0.25 W Um ouvinte a 3 m do instrumento percebe um som de 76 dB → Nível de intensidade: I ≈ 4×10-5 W/m2 Admitindo uma irradiação sonora uniforme em todas as direções: → P ≈ (4πr2)I = 13 mW Assim, a eficiência da conversão da energia mecânica da arcada em energia sonora é superior a 5%
  57. Afinação do violino Afinador eletrônico: resolução 1 Hz Sensibilidade do ouvido para diferenciar dois sons de freqûencias diferentes: 0.3% (Para o Lá-440 Hz, isso é 2 - 3 Hz) Microafinador do violino: Parafuso micromêtrico, de 0.8 mm de diâmetro, ligado a um ganchinho que puxa (ou afrouxa) a corda do violino, aumentando (ou diminuindo) a sua frequência de vibração. Uma volta do parafuso altera a frequência em ∼ 7 Hz.
  58. Afinação do violino As cordas do violino são afinadas em quintas sucessivas:  f1  3 Sol3 (G3) : 196 Hz  = f  2  2 Re4 (D4) : 293.66 Hz  Mi   La   Re  Lá4 (A4) : 440 Hz  = =  = 1.498  La   Re   Sol  Mi5 (E5) : 659.26 Hz Para afinar o violino, o executante afina primeiro a corda Lá e depois toca duas cordas vizinhas prestando atenção aos batimentos. Se ele tocar simultaneamente as cordas Lá e Mi, por exemplo, ocorrera batimento entre o terceiro harmônico do Lá e o segundo harmônico do Mi: 3 × 440 = 1320 Hz 2 × 659.26 = 1318.5 Hz
  59. Dedilhado das notas A freqûencia de uma corda tensionada é dada por: 1 T f = 2L µ para tocar notas mais altas na mesma corda precisamos diminuir o comprimento L da corda.
  60. Intensidade dos violinos em relação aos metais Scientific American 231, 78 (1974) De quantos violinos precissamos para “balancear” os metais? I  SL1 (violino) ≈ 55 dB Nivel de Som: SL = 10 log  I   o SL2 (metais) ≈ 70 dB Se I1 é a intensidade do som de um violino, a de n violinos será nI1, então SL2 – SL1 = 10 log(nI1/I1) = 10 log(n) ⇒ n ≈ 32
  61. Pesquisas recentes em acústica de violinos Pesquisadores ativos: G. Bissinger (North Carolina, EUA) Erik Jansson (Estocolmo) Jim Woodhouse (Cambridge) Lothar Cremer (Berlin) Collin Gough (Birmingham, UK) Xavier Boutillon (Paris) John McLennan (Sidney, Australia) Akihiro Matsutani (Japon) G. Weinreich (EUA) Sociedades: Acustical Society of America 1963, Catgut Acoustical Society 1963
  62. Resposta acústica de 25 violinos high quality E. Jansson, Acustica 83, 337, 1997 Um imã de 25 mg é colado ao cavalete
  63. Em quase todos os violinos aparecem as ressonâncias do ar (Ao), do corpo (C2 e C3) e a do tampo (T1). Todos os 25 violinos apresentam ressonâncias na região 450 e 550 Hz, mais em quatro deles não foi identificado o modo T1. O estudo conclui que o modo C3 e as ressonâncias acima de 2.5 KHz (bridge hill) são determinantes na qualidade do instrumento.
  64. Corda do violino (depois das arcadas) A. Matsutani, Japan Journal Applied Physics 41, 1618 (2002) Corda Lá do violino, antes e depois de passar 100 vezes o arco. A corda fica coberta de partículas de breu. A corda e a crina ficam impregnadas com as micropartículas de breu (10– 20 µm). A fricção é determinada pela afinidade das duas superfícies, a de breu na corda e a de breu na crina. Quando as duas superfícies estão em movimento uma relativa a outra, o breu produz uma fricção relativamente pequena. (J. Beament, The violin Explained, Oxford, 1997)
  65. Imagens foto-elásticas de um cavalete de epoxi A. Matsutani, Japan Journal of Applied Physics (2002) (e) Cavalete sólido (sem “coração” nem “ouvidos”). Neste caso as força das cordas Sol e Mi são dominantes no cavalete e as tensões são aplicadas diretamente as pernas. (f) Cavalete sem os “ouvidos”. A tensão das cordas Lá e Re aparecem concentradas no “coração” (g) Cavalete sem o “coração”.As tensões aparecem concentradas na parte inferior (Matsutani, Japan Journal of Applied Physics 41, 6291, 2002)
  66. Sonoridade de cavaletes sem “coração” e/ou “ouvidos” Corda Mi: nos cavaletes com “ouvidos”, o nível de som aumenta na região de 1980 Hz, a qual corresponde ao 3o harmônico da nota Mi (660 Hz) Corda Lá: os “ouvidos” aumentam o nível de som nas frequências de 880 Hz e 2640 Hz (2o e 6o harmônicos do Lá-440) enquanto o efeito do “coração” aparece em 1320 Hz e 2640 Hz (3o e 6o harmônicos do Lá-440). (Matsutani, Japan Journal of Applied Physics 41, 6291, 2002)
  67. Força máxima da arcada O arco gera também oscilações de torção na corda. Um parâmetro importante para determinar a pressão correta do arco é a razão entre a impedância do movimento tranversal Zo (definida na superfície da corda) e impedância do movimento rotacional Zt Parâmetros utilizados por Woodhouse: Zo = 0.2 kg/s  Zt  Zt ∼1.6Zo (depende muito da corda) 2Z o   Z + Z v b  Velocidade da arcada, vb = 0.2 m/s Fbs =  o t  ≈ 0.8 N Coef. de atrito estático, µs = 0.8 (µ s − µ d )β Coef. Atrito cinético, µd = 0.3 β: posição relativa do arco, β ≈ 0.11 Schumacher, J. Acoustical Soc. Am. 96, 1985 (1994) Pitteroff & Woodhouse, Acustica 84, 543, 744 e 929 (1998)
  68. Uma nova família de instrumentos de cordas Em 1958, o compositor Henry Brant sugeriu aos pesquisadores Frederick Saunders e Carleen Hutchins construir uma família de instrumentos em escala com o violino, cobrindo toda a gama da música orquestral. Eles aceitaram o desafio e, com ajuda de J. Schelleng e outros membros da Catgut Acoustical Society, criaram uma família de oito novos instrumentos.
  69. J. Acoustical Society of America 92, 639 (1992)
  70. As dimensões dos novos instrumentos Os oito novos instrumentos foram finalizados em 1965 e comprendem desde um violino treble de 48 cm até um contrabaixo de 2.14 m de comprimento.
  71. A nova família em concerto C.M. Hutchings: Physics Today 20, 23 (Fev. 1967) J. Acoustical Society of America 73, 1421 (1983), 92, 639 (1992) www.catgutacoustical.org www.HutchinsConsort.org
  72. Referências Bibliográficas L. L. Henrique. Acústica Musical. (Fundação Gulbenkian, Lisboa, 2002). The Physics of Musical Instruments, Fletcher + Rossing (Springer, 2005) A history of violin research. C.M. Hutchins. Journal of Acoustical Society of America 73 (5) 1421 - 1439 (1983) Science and the Stradivarius. C. Gough. Physics World 27 (April 2000) Instrumentos musicales. Massmann + Ferrer (Dolmen,Chile, 1993) Na internet: University of New South of Wales, Australia: www.phys.unsw.edu.au/music Apostilas sobre acústica do violino, do violão e do piano: www.speech.kth.se/publications Página Prof Woodhouse (Cambridge): www2.eng.cam.ac.uk/~jw12
  73. Agradecimentos Prof Renê Ayres Carvalho Prof. Alberto Tannus Prof. Francisco Guimarães Profa. Ilza Zenker L. Jolly Thiago Corrêa de Freitas Nelson Gallo (microscopia) Samuel Alvarez (desenhos) Verônica Donoso (arte final)
  74. Obrigado pela atenção … Orquestra Experimental da UFSCar
  75.  Agradecimentos: http://www.violinovermelho.com.br
Get the Flash Player to see this player.